wollemia pine

Sendo de certa forma um geek de espécies vegetais, nada mais natural que querer aquelas mais raras de se encontrar no local em que se está.
Tenho uma lista enorme de espécies que eu quero encontrar e plantar lá no meu sítio, junto às araucárias que estou plantando. Algumas eu mando vir de semente do exterior, mas outras são indisponíveis. Então que nessa semana eu esbarrei nessa aqui, que definitivamente entrou na minha lista: o pinheiro de Wollemia (Wollemia nobilis). Descoberto apenas em 1994 por um escalador (David Noble) com conhecimentos de botânica na Austrália, ele não é um verdadeiro pinheiro, mas sim está na família das araucárias. A árvore atinge 40m de altura, bastante estreita. É endêmica de um local muito específico, um cânion na região das Blue Mountains, onde chegou a haver apenas 40 exemplares da espécie. Elas não possuem qualquer diferença genética, são todos clones, o que é bastante incomum na natureza. Todos pinheiros de Wollemia no mundo são, portanto, geneticamente idênticos.
Anos depois da descoberta, começou um programa da Austrália para espalhar a espécie pelo mundo, preservando-a. Sendo de uma região de clima quase idêntico ao nosso no sul do Brasil, ela se adaptaria muito bem por aqui. Além disso, cresce rápido, mais de 50cm por ano, e se dá bem tanto na sombra quanto no sol pleno.
A reprodução se dá facilmente por estaquia. Se alguém quiser me passar um galhinho ou contrabandear de algum jardim botânico desse mundo, me avisa.

http://www.flickr.com/photos/misschicken/283445272/

danke schön

E na abertura acho que houve uma grande aceitação do público, tanto em relação com minhas fotografias quanto à cerveja Coruja! Delícia esse que foi um dos primeiros lotes da fábrica lá de Santa Catarina.
Um obrigado a todos que compareceram, ao Café com Prosa que abre seu espaço para artistas da região, à Casa de Cultura de Estrela por ceder os expositores e à Coruja. Agora ainda podem visitar o local (de segunda a sexta), que fica no Centro Clínico de Estrela - RS, ao lado do hospital; as fotos devem ficar por lá até o fim desse mês, e com sorte ainda poderão tomar uma Coruja, enquanto houver estoque.


extra! extra!

Nessa sexta-feira, dia 15, às 19h, ocorre a abertura da minha primeira exposição de fotografia, no Café com Prosa, que fica no Centro Clínico, em Estrela - RS. Com o título de "Cidades que não dormem", ela inclui cenas noturnas de diversas cidades.

Na abertura, comes preparados pelo café e cerveja Coruja, uma cerveja artesanal feita na região do Vale do Taquari pra lá de gostosa. Essa cerveja é chamada de "cerveja viva" pois não é pasteurizada e precisa ficar refrigerada mesmo depois de engarrafada. Convites podem ser comprados comigo ou lá no café mesmo, de preferência antes do evento, pois tem lugares limitados. Detalhe: perdi meu celular, então esse número do convite não funciona...
As fotos ficam lá até as eleições, então tem 2 semanas pra ir tomar um bom café e ver a exposição.

keeping track

Há dias não dou notícias do meu viveiro de plantas, mas estou postando pra "dar explicações". Paciência de monge budista japonês é necessária ao lidar com elas...
Quanto às paperwhites (Narcissus tazetta), essas deram uma folhagem muito bonita, mas nada de flores, como eu já esperava. Certamente não tiveram uma boa temporada no ano passado, quando deviam ter armazenado a energia para a floração desse ano. Mas nesse ano sim, terra boa, adubo e sol são o Toddynho delas. Agora paciência de um ano até o fim do próximo inverno.

Paperwhite, vão ter que esperar mais um ano...
Das sementes que importei por correio, a Larix decidua já germinou (bem, duas, por enquanto). Ficaram um mês na geladeira pra simular um inverno (assim como estão ainda várias sementes...). Vai ser curioso como essa planta vai se adaptar no verão subtropical, sendo que ela vem das montanhas da Europa. Tem gente que cultiva ela no sul da Austrália, então uma certa tolerância a calor ela deve ter!

Larix decidua
Tive sucesso na alporquia (leia no wiki) do liquidâmbar (Liquidambar styraciflua) em questão de 2 meses, o que me surpreendeu positivamente. Agora estou aplicando a técnica ainda no carvalho europeu (Quercus robur) e na glicínia (Wisteria chinensis) pra bonsai em curto tempo. Eu uso um vaso normal de plástico cortado em um dos lados para fazer isso, assim não mexo na terra no momento de retirar o alporque, aumentando as chances da planta sobreviver.

Alporquia de Liquidambar styraciflua
Alporque já pronto do Liquidambar
E os bordos japoneses (Acer palmatum) que plantei de sementes há pouco mais de 4 anos estão saudáveis e até já estão sendo usados no jardim e para bonsai. Sem ter custado o olho da cara como essa espécie costuma custar. Agora vou trabalhar na ramificação e, se estiver saudável, fazer a desfolha daqui a um mês.

Acer palmatum - sim, as folhas parecem Canabis

timelapse

Ando bem entusiasmado ultimamente para vídeos. Minha próxima aquisição em máquina fotográfica com certeza terá bons recursos para isso, bem como modo de disparos com intervalo (interval shooting mode)...
Por enquanto, me viro com a Pentax de bolso e a Nikon D40.
Da viagem de bike pelo Uruguai, trouxe milhares de fotos para time-lapse, e o resultado está em meros 3 minutos, embalados por Chicane.

llegamos!

Dia 10: de Piriápolis a Montevideo, 110km pedalados.
Depois de alguns dias sem postar, continuo o relato da pernada de bike em junho lá no Uruguai.
Na última noite, a chuva incessante deu lugar ao vento. Acordamos cedo pra entrar logo na estrada e chegar em Montevideo antes que nossa visita chegasse por lá.
Seguimos pela beira do mar por um bom trecho, ao invés de voltar direto de Piriápolis para a Ruta Interbalneária. O trecho é muito bonito, com muitas casas bem abastadas de frente ao mar, sem tráfego algum e num ótimo asfalto. Vimos alguns ciclistas, que nos cumprimentavam com muita alegria.
Voltando à Interbalneária, ainda com pouco movimento, acompanhamos um grande grupo de ciclistas por um pequeno trajeto, mas o ritmo deles (com bikes de velocidade, sem peso e com um carro de apoio técnico) era muito grande.
Seguimos muito bem pela estrada, sem vento, mas frio. Paramos pra comer alfajores e tomar café em um posto de gasolina, e foi à base de café e alfajor que chegamos na zona metropolitana de Montevideo. De longe, o aeroporto, planejado pelo uruguaio Rafael Viñoly, muito bonito, e a sensação de que alguém poderia chegar ali em umas 2 horas para aquilo que fizemos em 10 dias é um pouco intrigante.


Acompanhamos a costa do Prata por mais de 10km ao entrar na cidade de Montevideo. Achar o hotel em que tínhamos reserva não foi fácil. Estranho foi ter alguém carregando a bagagem por ti (um pouco suja, diga-se de passagem) pro quarto depois de tantos dias de acampamento... Baita banho. Saímos pra comer um pancho de chorizo. Bem, o resto de dia foi de passear um pouco na cidade, receber nossa convidada Kátia, namorada do Paaschen, comer uma boa pizza no Pizzas del Mondo, tomar uns vinhos do país, uma cerveja Patrícia red ale, e sacar umas fotitas pelo centro... Bem como gente bem normal faz.

street trees

Sendo bem didático sobre arborização urbana, tudo com fotos:

Pingo de ouro (Duranta repens aurea), ninguém merece. Na minha opinião, a planta mais feia que existe. Em topiaria, cresce tão rápido que dá pra podar a cada 2 dias. Ficaria feliz se uma forte geada num inverno desses matasse todas existentes aqui em terras gaúchas.
Quem é que passa nessa calçada, hein?

Sobre como NÃO podar uma árvore: coitado desse jacarandá (Jacaranda mimosifolia).

Absolutamente NUNCA se poda um tronco desse jeito, cortando os galhos horizontalmente a uma certa altura. Essa pobre árvore fica ali, ano após ano tentando se recuperar de uma poda drástica, a custo de que? Prefiro que a cortem no chão que fazer isso com ela. Essa é a poda mais comumente praticada, e cidades inteiras fazem isso deliberadamente pra que a árvore "venha mais bonita", ou pra evitar "sujeira na calçada" (e ainda acham que estão fazendo certo…). Privando-nos, muitas vezes, do espetáculo da coloração outonal como nesses resedás (Lagerstroemia indica)

ou nesses plátanos (Platanus hybrida).

Árvore bonita é árvore NÃO podada, ou no máximo uma poda pra deixar livre a visão abaixo da copa, fazendo seleção dos galhos líderes e eliminando galhos laterais baixos.
Agora, se estiver sob fios de eletrificação, ou que se opte por uma planta de porte menor (como resedá), que dificilmente vai alcançar os fios de luz sem mesmo necessitar de podas; ou que se opte por uma poda do tipo V, deixando galhos crescerem para cada lado dos fios, como nesses álamos (Populus alba). Aliás, não plante álamos na calçada pois eles têm raízes superficiais muito fortes.

Pra essa sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides), antes tarde do que nunca pra começar a poda em V. O coitado do ipê amarelo (Tabebuia alba) em frente não teve a mesma chance.

Enquanto isso, as últimas árvores de bela sombra e de grande porte (Ligustros) da avenida Júlio de Castilhos em Estrela são assassinadas pra construção de um prédio… Ê! E porque não plantar coqueirinho, a espelho da prefeita Carmem da vizinha Lajeado? Quando começarem a cair folhas e coquinhos na cabeça e nos carros dos ilustres cidadãos, já sabemos quem é que vai pro brejo de novo…