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klettern

Retorno à escalada! Com minha corda nova, todas as tralhas empacotadas no porta-bagagem da bicicleta, um pouco de Jägermeister ainda no sangue de sábado à noite... lá se vão os 20 km que saparam Ulm de Blaubeuren, uma cidade ao longo do arroio Blau, com um colega de trabalho com a mesma quantidade de Jägermeister no sangue.

O arroio Blau começa em Blaubeuren de uma maneira bem espetacular. A água simplesmente brota do chão em um volume gigantesco (para uma fonte), estupidamente cristalina e azul, em meio a uma caverna de calcário tão profunda e extensa que nunca foi completamente explorada.

As falésias estão por toda parte no Blautal (o vale do rio Blau). Muitas não podem ser escaladas por proteção ao meio ambiente ou ao patrimônio histórico. Em outubro as falésias fecham para a reprodução dos pássaros.

Foram poucas vias, mas já deu pra guiar, pra matar a saudade de cheiro de pedra nas mãos, de joelho ralado, de dedos moídos, mosquitos, e desconhecidos simpáticos e abertos que se encontram embaixo das vias. Como posso não ter escalado por tanto tempo?

Minha mascote de escalada, a marmota Marbel, foi junto.






sportif

Por semana:
150km de bike, em média,
2 ou 3 sessões de escalada bouldering indoor,
2km de natação,
1 sessão de slackline (ou 2?),
1 sessão de escalada em Fontainebleau (na medida da disponibilidade),
e 30km de rollerblading (quando dá).

Já faz mais de um mês. Vamos ver até quando aguento, ou se aumento a dose de endorfina.



fontainebleau

De volta à ativa na escalada...
Treinamento em muro de boulder durante a semana e, com tempo bom e sorte de conseguir uma carona, Fontainebleau nos fins-de-semana. Playground garantido.

community sense

Esse belo vídeo de escalada não foca na técnica dos movimentos, mas no belo senso de comunidade e amizade que surge dentro da escalada. Até as agarras, reconhecidas individualmente por seus nomes, fazem parte do grupo!

alexander huber

A revista alemã Der Spiegel entrevistou o escalador Alexander Huber (41 anos de idade), resultando em uma bela reportagem. Ele é praticante de free solo, um estilo de escalada onde não se usa corda ou qualquer outra proteção. Traduzi alguns trechos interessantes e coloco a tradução aqui: (extraído de Der Spiegel)

Spiegel: Há fotos de ti a centenas de metros de altura em meio a uma falésia gigante, íngreme e lisa. Não há segurança, nem corda, que pudessem evitar uma queda. O que passa na tua cabeça?
Huber: De preferência nada. Todos pensamentos, todos medos, as preocupações são para os dias anteriores à escalada. Quando eu escalo, reduzo meu mundo aos poucos centímetros quadrados da próxima agarra.

Spiegel: Como se supera o medo?
Huber: Aí que entra a experiência. Eu só comecei com free solos aos 30 anos de idade. Com a idade, a força mental e a técnica ficam mais fortes. Eu comecei com paredes de 6 metros de altura sem corda, e então fui subindo de nível e em paredes maiores. Hoje eu sei, quais movimentos na parede são perigosos e quais não são. A preparação é meticulosa. Cada parede que quero escalar em free solo, eu conheço previamente como se eu estivesse entrevistando um futuro colega de apartamento: escalo com um parceiro e com corda, até que eu esteja convencido de que tenho controle total. Isso treina minha capacidade de auto-conhecer meu nível. Ao fim do processo, sei quão difícil é a tarefa e o quanto eu cresci com ela.

Spiegel: Tu és viciado.
Huber: Um pouco.

Spiegel: Quanto tempo ainda poderás escalar em free solo?
Huber: Depende da força mental, e essa não decai tão rápido como a força física. Eu tenho o sonho de trazer escalada em free solo para lugares em que ninguém ainda tentou isso. Isso deve ser nas grandes paredes das grandes montanhas desse mundo.

Spiegel: No outono, vais ser pai. Consideras parar com a escalada de alto risco em free solo depois do nascimento do filho?
Huber: Como assim? Eu amo a vida. Essa motivação para mim é muito grande. Eu não preciso pensar que, devido ao meu filho, quero continuar vivendo, pois isso eu quero de qualquer maneira.

 
Crédito das fotos: Huberbuam.de

cabo polonio

Dia 6: de Punta del Diablo para Cabo Polônio, 61km
Pra não perder o costume, mais uma vez vimos um nascer do sol no mar bonito da costa azul uruguaia, logo depois do café da manhã com muito doce de leite (e café passado! ah já estava com muitas saudades).


Não andamos muito, mas a estrada estava vazia e com um ventinho contra até a chegada na entrada de Cabo Polônio. Esse vilarejo não tem acesso por estradas regulares e só é acessível por caminhões com tração nas 4 rodas — que te levam por 7km na areia fofa. Também dá pra chegar caminhando, opção descartada com o peso das bicicletas. Como é inverno e o local estava praticamente vazio (só mais um ou dois turistas e os 40 habitantes locais permanentes), o caminhão nos levou com as bicicletas sem problema algum.
No Cabo Polônio não se pode acampar. Também não tem luz elétrica, água corrente nem estradas. As casas estão dispostas "ao acaso" sobre um gramado verde, sem demarcação de terrenos. O local é muito visitado no verão, quando chega a receber 2 mil turistas por dia. Um reduto de hippies. Não é mais permitido qualquer construção no local.

Mais um cusco amigo
Já pra casa que é pra não pegar gripe, guri!

A experiência de ficar em Cabo Polônio no inverno é única. Nos hospedamos em um hostel de frente pro mar, bastante engenhoso, com água quente, catavento e geladeira, e conversamos bastante com o dono e com a única hóspede, uma alemã bem doida. Aliás, todo mundo lá no Cabo parece meio louco.
Caminhamos pelas pedras, vimos os leões-marinhos de perto, pingüins pelo caminho (a maioria mortos), escalei uns boulders de granito cortante sem sapatilha nem magnésio e tomei um banho de mar de inverno.
Já com a certeza de que queria voltar ao Cabo um dia, dormi tranquilo, ao som das ondas do mar.

me voy, uruguay

E, depois de um aprendizado muito grande com minha, por dizer, primeira entrevista do tipo dinâmica de grupo na vida — e que não deu em nada, porque não consegui o tal emprego (que, pensando bem, nem queria, pois me privaria de muitas coisas) —, nada melhor que uma viagem de bike.
Pra quem não desistiu de ler o post depois da longa e complicada frase acima, explico-me: vou repetir mais ou menos o feito do meu irmão Edu, uma viagem pela costa do Uruguai, um pouco menos de 2 semanas. Mas dessa vez tremendo no frio de inverno. Saio sexta-feira de ônibus até Rio Grande, se nos deixarem embarcar a bike. Sim, tem mais um maluco me acompanhando: o Paaschen.
Estou levando sapatilhas e magnésio pra, quem sabe, tentar uns boulders. Sei que em Punta Ballena existem, vide vídeo http://www.youtube.com/watch?v=3kBrranxswA. E a primeira noite, no Cassino, deve ser na Alessandra, dos links ali do lado.
Na volta, notícias!

cueva del puma

No tempo que passei nas Torres del Paine — o tempo mais sem estresse da minha vida, trabalhando de voluntário nas trilhas do parque com uma organização chamada AMA (Agrupación Medio Ambiental) —, eu tinha como lugar de escapada a Cueva del Puma, uma colina de granito a 5 minutos a pé de onde morava.
Escalei com corda mesmo apenas duas vezes o lugar, mas alguns boulders mais vezes. Uma caverna dá nome ao local, quem sabe um refúgio de inverno dos pumas que vivem na região, que descem da montanha em busca de comida, pois todos outros animais descem mais com a chegada do frio: zorros, lebres…

O boulder que eu mais fazia. Homenageado com lightdrawing

Não tem agarra!

Escalando sob a luz do luar

Com vias de graduações diversas e alguns tetos bem legais, fiz apenas uma parte mais vertical, em top rope, pois as vias não estão bem equipadas. Com o frio, nem precisa de magnésio. Nas duas vezes que escalamos, entramos noite adentro, com lâmpadas frontais ou com a luz da lua cheia, já que os dias ficavam muito mais curtos em março e às 20h já começava a escurecer. Isso me rendeu o apelido de Murciélago (morcego).
Me gusta o granito do local. Não resbala, mas também não tem muitas agarras visíveis, e tem que confiar em reglettes — algo meio difícil quando os dedos estão gelados. Muito equilíbrio é necessário pra ir avançando, colado na parede. O corpo inteiro parece que sai com o cheiro da rocha.
O local foi primeiramente equipado muito antigamente, lá nos anos 60, pelos primeiros desbravadores da escalada nas Torres del Paine. Europeus, na maioria italianos, franceses e austríacos, que se lançavam em expedições pela Patagônia e esperavam dias e dias abaixo da montanha, em um ponto onde se pudesse ver as torres, até que abrisse uma janela de bom tempo. O teto de granito devia ser abrigo natural contra a chuva e o vento, sempre presentes no tempo imprevisível da Patagônia.
Outra hora vem mais posts sobre o parque!

change is always good

Pois é, to indo pra Patagônia sábado.


Vou passar um mês no parque Torres del Paine, no Chile (bem longe da zona dos terremotos — praticamente os mesmos 1800km que separam Porto Alegre de Concepcion). Um mês pra pensar na vida, pra passar frio, pra fazer muita foto e escalar uns boulders, porque pra big wall não to pronto ainda. Já conheço o parque, que é de natureza tão exuberante que me fez querer voltar. Dessa vez vou trabalhar de voluntário, algo como guarda florestal. Não deixa de ser meu primeiro emprego depois de formado, porque tinha que enviar currículo e tudo.
Deixo também Porto Alegre pra talvez nunca mais morar aqui. O carro já está carregado, até parece rebaixado. Retorno ao ninho com os pais até dar um rumo na vida.
O portinho vai fazer falta.

os marin

Mais uma escapada pra escalada nesse fim semana, com Carlos, e num point novo: a cascata dos Marin, no interior de Cotiporã - RS. No meio do nada, literalmente, tanto que nos perdemos bastante pra chegar lá (rodamos uns 30km a mais, entre subir e descer a serra e atravessar inutilmente duas vezes o rio das Antas). Tive que pedir informações à própria família Marin pra achar a descida pro canyon (que mantém a trilha até a cascata em muito bom estado, obrigado!).


Introduzi meu irmão à escalada em rocha — ele não tinha gostado muito da experiência indoor, acredito, mas na rocha foi outra coisa.
Inaugurei minha corda Mammut de 60m:


E encontrei outros escaladores que não via há meses... Num lugar que não vai quase ninguém (as vias estavam cheias de teias de aranha), é muita coincidência!
Tomei um banho de arroio daqueles, na água bem limpa, com a água da cascata caindo direto em mim. A queda d'água deve ter uns 50m.


Tem muitas vias ainda sendo conquistadas no local, a maioria de graduação mais difícil, mas tem umas vias mais fáceis. Equipei um 7b pela primeira vez, a Ecléticas (deve ser porque tem de tudo: um pouco de diedro, de aresta, de reglete, abaulado...), e de vista (descansando bastante na cadeirinha, admito, e me segurando sem pudor na corrente final).
Pronto pra outra!

rose & rust

Carnaval na praia significa não só se acabar no copo. E Santa Catarina é um paraíso, com enseadas bem diferentes das do Rio Grande do Sul (se dá pra dizer que tem mais de uma enseada nessa província... bem, as duas de Torres, e a do resto do litoral).
O granito cortante, cheio de cristais que parecem navalhas cortando os dedos, é que domina a maior parte do litoral. Bem diferente do basalto, que escorrega demais, o granito ao menos oferece uma aderência gigantesca. Difícil mesmo é começar no granito e perder o medo, até confiar que aquele pé ali no meio da parede, sem agarra alguma, vai te segurar.
Ainda mais que foi a primeira vez que fiz escalada tradicional. Não se pode confiar muito no equipamento, que está ali mais por backup mesmo. É uma demanda muito mais psicológica do que física.
Assim, volto de um carnaval produtivo, de mente limpa, e costas doloridos pelo sol, pelos arranhões no granito e pelas noites mal dormidas em um colchão de 6mm de e.v.a.
O vídeo tá aí (ainda faço outra edição... com outra música, e tentando sincronismo maior entre ritmo e imagem).

how not to climb

Vídeo hilário comentado com dicas de segurança de escalada, baseado no filme Vertical Limit:


climber's hands

O que acontece com os dedos que, mais de uma vez por semana, se agarram em pequenas regletes, apertam com tudo e depois escorregam?
Segundo um estudo da Universidade de Tennessee e da Universidade de Washington, ao contrário da crença popular, a escalada não aumenta os riscos de artrite nas mãos.
Mas é verdade que escaladores têm ossos mais largos que não escaladores. A força dos dedos e a resistência dos ossos das mãos estão correlacionadas aos estilos de escalada que enfatizam dificuldade aoatleta. Surpreendentemente, os pesquisadores descobriram que a pressão sobre as articulações levam a um aumento na parte lateral externa do osso, o que não costuma acontecer com adultos.
vide http://www3.interscience.wiley.com/journal/118559744/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0

Meus dedos bonitos no calcário dos Calanques

fat tapir

Anta Gorda, no alto vale do Taquari, RS, está cercada moinhos coloniais. O Vicenzi, em especial, fica ao lado de uma bela cascata.
Quero visitar novamente o local pra ver se rola um psicobloc.
Limpando um pouco a terra sobre a rocha (basalto de alta qualidade, imagino), quem sabe dê pra aproveitar esse verão caindo direto n'água, já que a escalada nesse ano de El Niño tá mais pra chuva mesmo.
Seria psicobloc inédito no estado.



prima! ivoti

Primeiro post, aproveito para inaugurar um assunto que tem me interessado há mais que 3 anos já: escalada.
Morando em Porto Alegre, o pico de Ivoti — o Behne, na colônia japonesa, um dos mais frequentados da terra dos gaúchos — é um dos mais práticos. Com paredões em arenito, possui alguns tetos, mas grande parte é em aderência mesmo.
Fiz uma compilação em um vídeo time-lapse de centenas de fotos tiradas automaticamente com uma Pentax W20 acoplada a uma lente olho-de-peixe no melhor estilo tecnológico (esparadrapo de escalador). Obrigado à Carmen e ao Jorge pelo dia.