my shot

Perambulando pela rede, achei uma foto minha usada pela National Geographic na seção de viagens no Chile. Nem me avisaram, mas é legal ver a aprovação de uma revista que tantos apreciam.


Pode ser conferido aqui.

peanut butter

Costume dos americanos e holandeses, a pasta de amendoim faz parte do meu café-da-manhã ideal.
Descontente com Amendocrem — a pasta feita e vendida no mercado nacional, muito cara, muito doce, pouco salgada e nada crocante — decidi fazer minha própria com o estoque de amendoim torrado em casa.
Aqui vai:
Bater o equivalente a uns 2 copos no liquidificador, com um pouco de água (até dar a liga), sal a gosto (uma colher de sopa pra mim!) e mel (também uma colher de sopa). No fim, dá pra colocar um pouco mais de amendoim e não bater demais, só pra deixar a pasta mais crocante, com pedaços inteiros.
Guardar fechado na geladeira.

wikipedia

cueva del puma

No tempo que passei nas Torres del Paine — o tempo mais sem estresse da minha vida, trabalhando de voluntário nas trilhas do parque com uma organização chamada AMA (Agrupación Medio Ambiental) —, eu tinha como lugar de escapada a Cueva del Puma, uma colina de granito a 5 minutos a pé de onde morava.
Escalei com corda mesmo apenas duas vezes o lugar, mas alguns boulders mais vezes. Uma caverna dá nome ao local, quem sabe um refúgio de inverno dos pumas que vivem na região, que descem da montanha em busca de comida, pois todos outros animais descem mais com a chegada do frio: zorros, lebres…

O boulder que eu mais fazia. Homenageado com lightdrawing

Não tem agarra!

Escalando sob a luz do luar

Com vias de graduações diversas e alguns tetos bem legais, fiz apenas uma parte mais vertical, em top rope, pois as vias não estão bem equipadas. Com o frio, nem precisa de magnésio. Nas duas vezes que escalamos, entramos noite adentro, com lâmpadas frontais ou com a luz da lua cheia, já que os dias ficavam muito mais curtos em março e às 20h já começava a escurecer. Isso me rendeu o apelido de Murciélago (morcego).
Me gusta o granito do local. Não resbala, mas também não tem muitas agarras visíveis, e tem que confiar em reglettes — algo meio difícil quando os dedos estão gelados. Muito equilíbrio é necessário pra ir avançando, colado na parede. O corpo inteiro parece que sai com o cheiro da rocha.
O local foi primeiramente equipado muito antigamente, lá nos anos 60, pelos primeiros desbravadores da escalada nas Torres del Paine. Europeus, na maioria italianos, franceses e austríacos, que se lançavam em expedições pela Patagônia e esperavam dias e dias abaixo da montanha, em um ponto onde se pudesse ver as torres, até que abrisse uma janela de bom tempo. O teto de granito devia ser abrigo natural contra a chuva e o vento, sempre presentes no tempo imprevisível da Patagônia.
Outra hora vem mais posts sobre o parque!

coffee

A todos os viciados em um bom café como eu, minhas saudações pelo dia do café.
Meu melhor café do último mês foi esse aí da foto, cortesia de um amigo em um hotel bastante caro, o Hosteria Las Torres, em um tempo em que eu estava só tomando café instantâneo. Um ótimo café latte.

Uso esse dia para difundir meu descontentamento sobre alguns costumes que ferem o bom barista:
· café instantâneo não deve ser considerado café, muito menos aquelas misturas de cappuccino
· café se toma sem açúcar
· cappuccino não é aquela bebida doce com chocolate e canela. Cappuccino é café expresso, leite quente e leite vaporizado
· pobres os países tropicais como o Brasil que exportam seus melhores cafés, e cujas populações acabam se contentando com o Nescafé granulado...
Agora chega de reclamar, que eu vou voltar pro meu chimarrão aqui :)

change is always good

Pois é, to indo pra Patagônia sábado.


Vou passar um mês no parque Torres del Paine, no Chile (bem longe da zona dos terremotos — praticamente os mesmos 1800km que separam Porto Alegre de Concepcion). Um mês pra pensar na vida, pra passar frio, pra fazer muita foto e escalar uns boulders, porque pra big wall não to pronto ainda. Já conheço o parque, que é de natureza tão exuberante que me fez querer voltar. Dessa vez vou trabalhar de voluntário, algo como guarda florestal. Não deixa de ser meu primeiro emprego depois de formado, porque tinha que enviar currículo e tudo.
Deixo também Porto Alegre pra talvez nunca mais morar aqui. O carro já está carregado, até parece rebaixado. Retorno ao ninho com os pais até dar um rumo na vida.
O portinho vai fazer falta.

os marin

Mais uma escapada pra escalada nesse fim semana, com Carlos, e num point novo: a cascata dos Marin, no interior de Cotiporã - RS. No meio do nada, literalmente, tanto que nos perdemos bastante pra chegar lá (rodamos uns 30km a mais, entre subir e descer a serra e atravessar inutilmente duas vezes o rio das Antas). Tive que pedir informações à própria família Marin pra achar a descida pro canyon (que mantém a trilha até a cascata em muito bom estado, obrigado!).


Introduzi meu irmão à escalada em rocha — ele não tinha gostado muito da experiência indoor, acredito, mas na rocha foi outra coisa.
Inaugurei minha corda Mammut de 60m:


E encontrei outros escaladores que não via há meses... Num lugar que não vai quase ninguém (as vias estavam cheias de teias de aranha), é muita coincidência!
Tomei um banho de arroio daqueles, na água bem limpa, com a água da cascata caindo direto em mim. A queda d'água deve ter uns 50m.


Tem muitas vias ainda sendo conquistadas no local, a maioria de graduação mais difícil, mas tem umas vias mais fáceis. Equipei um 7b pela primeira vez, a Ecléticas (deve ser porque tem de tudo: um pouco de diedro, de aresta, de reglete, abaulado...), e de vista (descansando bastante na cadeirinha, admito, e me segurando sem pudor na corrente final).
Pronto pra outra!

rose & rust

Carnaval na praia significa não só se acabar no copo. E Santa Catarina é um paraíso, com enseadas bem diferentes das do Rio Grande do Sul (se dá pra dizer que tem mais de uma enseada nessa província... bem, as duas de Torres, e a do resto do litoral).
O granito cortante, cheio de cristais que parecem navalhas cortando os dedos, é que domina a maior parte do litoral. Bem diferente do basalto, que escorrega demais, o granito ao menos oferece uma aderência gigantesca. Difícil mesmo é começar no granito e perder o medo, até confiar que aquele pé ali no meio da parede, sem agarra alguma, vai te segurar.
Ainda mais que foi a primeira vez que fiz escalada tradicional. Não se pode confiar muito no equipamento, que está ali mais por backup mesmo. É uma demanda muito mais psicológica do que física.
Assim, volto de um carnaval produtivo, de mente limpa, e costas doloridos pelo sol, pelos arranhões no granito e pelas noites mal dormidas em um colchão de 6mm de e.v.a.
O vídeo tá aí (ainda faço outra edição... com outra música, e tentando sincronismo maior entre ritmo e imagem).